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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Por que precisamos de alguém?

Pode acontecer a qualquer hora do dia, de qualquer dia. Numa sexta-feira às 17h20m de uma tarde nublada. Você decide que não quer mais fazer o que faz, que precisa trocar de profissão ou trocar de país mas lembra que pra isso precisa de uma grana que não tem, o sonho de repente fica distante mas a angústia segue brutal, e então a solução: o telefone. Você liga pra pessoa que mais conhece você, que melhor decifra suas neuroses, e não é sua mãe nem seu psiquiatra: é ele. Aquela pessoa a quem você chama intimamente de amor. Do outro lado da linha, o seu amor ouve pacientemente toda sua narrativa turbulenta e irracional, dá uma risada que não é de deboche e sim de quem já viu/ouviu essa cena duas mil vezes e diz: daqui a pouco eu tô aí e a gente conversa sobre isso. Daqui a pouco passa rápido e ele chega. Você não está mais pensando exatamente aquilo que estava pensando antes. Aquilo evoluiu para um diagnóstico emocional torturante: você não vai mais trocar de emprego nem de país, simplesmente porque descobriu que é uma pessoa instável, maluca e com fraquezas que se revelam no meio de uma tarde nublada, e que sendo assim é melhor ficar onde está. Mas chora. Não vai perder esta oportunidade. Seu amor lhe dá um abraço de urso, faz estalar sua terceira e quarta vértebras e fala que bom que você não vai embora, então que tal um cinema pra comemorar? Ao se olhar no espelho você se depara com uma mulher seis anos mais velha e 750ml de lágrimas mais inchada, mas antes que comece a chorar de novo, ele diz: tá linda. Vamos nessa. O filme termina e você quer conversar. Mais calma, conta pra ele como é difícil pra você manter suas escolhas, que às vezes você gostaria de experimentar sensações novas mas é complicado abrir mão do conhecido em favor do desconhecido e, olha, juro, dessa vez não é TPM. Então ele diz que também sente isso às vezes, dá um puta beijo nela e, olhando bem no seu olho, diz: é TPM, sim, mas não tem importância. Amor não é mais do que isso.

MARTHA MEDEIROS

quinta-feira, 12 de julho de 2012

"Indiretas não são legais, não são pra mim. Tem gente que acha que dou indireta. Normalmente é quem não me conhece. Quem me conhece sabe que sou bem irônica e a ironia muitas vezes se confunde com outras coisas. Mas não os culpo. Ninguém tem a obrigação de me conhecer, mesmo porque me mostro para poucos. Mas quem olha no meu olho instantaneamente me vê. É exatamente por isso que detesto gente que mete os pés pelas mãos, tem mania de perseguição e acha que o mundo gira ao redor do próprio umbigo." Clarissa Corrêa

"Tomate previne isso, cebola previne aquilo, chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema, qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas não exagere... Diante desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos. Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal pra minha saúde. Prazer faz muito bem. Dormir me deixa 0 km. Ler um bom livro faz-me sentir novo em folha. Viajar me deixa tenso antes de embarcar, mas depois rejuvenesço uns cinco anos. Viagens aéreas não me incham as pernas; incham-me o cérebro, volto cheio de idéias. Brigar me provoca arritmia cardíaca. Ver pessoas tendo acessos de estupidez me embrulha o estômago. Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro me faz perder toda a fé no ser humano. E telejornais... Os médicos deveriam proibir - como doem! Caminhar faz bem, dançar faz bem, ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo, faz muito bem! Você exercita o autocontrole e ainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada. Acordar de manhã arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite é prejudicial à saúde! E passar o resto do dia sem coragem para pedir desculpas, pior ainda! Não pedir perdão pelas nossas mancadas dá câncer, não há tomate ou mussarela que previna. Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do fundo, não ter ninguém atrapalhando sua visão, nenhum celular tocando e o filme ser espetacular, uau! Cinema é melhor pra saúde do que pipoca! Conversa é melhor do que piada. Exercício é melhor do que cirurgia. Humor é melhor do que rancor. Amigos são melhores do que gente influente. Economia é melhor do que dívida. Pergunta é melhor do que dúvida. Sonhar é melhor do que nada!" Martha Medeiros

"Não gosto de aparências. Não gosto de jogo. A gente vive na era do sou-doidão-bebo-pra-caralho-amo-a-noite-tomo-remédio-pra-dormir-transo-muito-tenho-mil-amigos. Ninguém quer saber da sua vida. Desculpa, mas é. Se você tem problema pra dormir, que pena. Consulte um psiquiatra, leia um livro, conte carneirinhos. Mas não fique achando que é legal dizer que toma quatro boletas para dormir (eu teria vergonha, sério). É ridículo. As pessoas acham que é cool dizer que tomaram uma garrafa inteira de Absolut. As pessoas pensam que é bacana falar o tempo inteiro de sexo. Quem fala muito é porque tem algum distúrbio, algum problema, alguma falta, alguma falha. Ninguém quer detalhes da sua vida sexual. Lamento, mas é. Se você bebe demais, consulte o A.A. e conheça os 12 passos. Ninguém tem mil amigos.
A gente tem a mania de achar que a vida do outro é melhor que a nossa. Que o relacionamento do outro não tem nenhum problema. Que o trabalho do outro é uma maravilha. Que deve ser tudo muito fácil. Não é. A vida, meu amigo, não é simples. E cada um vive da melhor forma possível. Dias bons, dias ruins (isso tudo soa uma autoajuda do cacete), dias bons, dias ruins. E assim vai indo. Mas não pense que aquela pessoa que diz que é doidona, bebe horrores, toma boleta e trepa muito é mais feliz que você." Clarissa Corrêa